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Segurança na realização de Ressonância Magnética em pacientes com projéteis ou fragmentos metálicos retidos.
FÍSICA MÉDICARESSONÂNCIA MAGNÉTICARDC Nº611SEGURANÇA EM RM
Inova Física Médica
9/11/2026
A presença de projéteis, estilhaços ou outros fragmentos metálicos retidos no organismo deve ser considerada uma condição que exige avaliação específica de segurança antes da realização de qualquer exame de Ressonância Magnética (RM). O campo magnético estático e os campos de radiofrequência utilizados na RM podem interagir com materiais metálicos, especialmente aqueles que apresentam propriedades ferromagnéticas, podendo ocasionar movimentação ou torção do fragmento, lesão de estruturas anatômicas adjacentes, aquecimento e produção de artefatos que comprometam a qualidade diagnóstica.
O American College of Radiology (ACR) estabelece que pacientes com histórico de lesão penetrante ou presença de corpo estranho metálico não identificado, incluindo projéteis e estilhaços, devem ser submetidos a investigação complementar antes de serem autorizados a ingressar nas áreas controladas da RM. Entre os métodos de avaliação citados pelo ACR estão a história clínica detalhada, radiografias convencionais, exames de tomografia computadorizada com cortes adequados, avaliação da localização anatômica e, quando disponível, informações confiáveis sobre a composição do objeto.
A análise deve considerar, principalmente, a provável composição do fragmento e sua localização anatômica. Fragmentos potencialmente ferromagnéticos localizados próximos ao encéfalo, olhos, medula espinhal, grandes vasos ou outras estruturas críticas representam situação de maior preocupação, uma vez que eventual deslocamento ou aquecimento poderá produzir consequências graves. Por outro lado, a presença de um fragmento antigo, envolto por tecido fibroso ou cicatricial, pode reduzir sua possibilidade de movimentação. Entretanto, o tempo de permanência no organismo ou a existência de encapsulamento não devem ser utilizados isoladamente para liberar o paciente para a RM. O próprio ACR recomenda que o grau de cicatrização/encapsulamento seja considerado conjuntamente com a localização e demais características do objeto.
Dessa forma, não se recomenda liberar a realização de uma RM apenas com base no relato do paciente de que o projétil está no organismo há muitos anos, de que já realizou uma RM anteriormente ou de que nunca apresentou sintomas relacionados ao fragmento. Da mesma maneira, a utilização de um equipamento com campo igual ou inferior a 1,5 Tesla não deve ser interpretada como garantia de segurança. A decisão deve resultar de uma avaliação documentada de risco-benefício, considerando as características do fragmento, sua localização, o tipo de equipamento e as condições previstas para o exame.
Diante da identificação de projétil ou fragmento metálico retido, o profissional responsável pela triagem deve interromper o processo de liberação automática para a RM e encaminhar o caso para avaliação conforme o protocolo de segurança da instituição. Sempre que não houver documentação confiável sobre o objeto, recomenda-se buscar informações clínicas e realizar investigação por radiografia e/ou tomografia computadorizada, conforme avaliação médica, com o objetivo de identificar e localizar o corpo estranho.
O ACR destaca a importância de uma estrutura organizacional definida para a segurança em RM e de procedimentos documentados para situações complexas. Para médicos solicitantes e radiologistas, recomenda-se registrar no prontuário a existência do projétil, sua localização, as evidências disponíveis sobre sua composição, a avaliação de risco-benefício e a decisão quanto à realização ou não do exame. Para técnicos, tecnólogos e biomédicos que atuam na RM, a identificação de qualquer histórico de ferimento por arma de fogo, estilhaço ou fragmento metálico deve ser tratada como um alerta de segurança, não devendo o profissional realizar a liberação de forma automática quando não houver documentação suficiente. Em caso de dúvida, o exame deve ser colocado em espera até que a avaliação de segurança seja concluída pelo responsável designado.
É igualmente importante que o serviço disponha de protocolo escrito de triagem para corpos estranhos metálicos, treinamento periódico da equipe, registro das decisões e definição clara de quem possui autoridade para autorizar ou contraindicar o exame. O ACR recomenda que as políticas e procedimentos de segurança em RM sejam formalmente estabelecidos, aplicados e documentados. Em situações de dúvida, a ausência de informação não deve ser interpretada como ausência de risco. A liberação do paciente para a área de RM deve ocorrer somente após a conclusão satisfatória do processo de triagem e avaliação de segurança previsto no protocolo institucional.
Referência
Incidence of Adverse Events Related to Ballistic Fragments in Patients Undergoing MRI at a Large Urban Health System: Implications for MR Safety Screening - J Am Coll Radiology; vol.3(1):52-57. Jan/2026. < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40818755/ >
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